Menina de 13 anos é estuprada por seis homens

Sabemos que menina que marca encontro pela internet com gente que não conhece é burra”. Com essa frase de efeito, R.A. define sua postura diante das mídias sociais, MSN e outras ferramentas da rede mundial de computadores. Essa tecnologia tem sido um recurso muito usado na cidade para a sedução de menores e a cooptação de vítimas, crianças e adolescentes, para o sexo forçado com conjunção carnal (penetração).

Depois do caso da menina de 12 anos, estudante de uma escola do Éden, abusada por cinco colegas depois que um deles ameaçou colocar cenas de sexo da menor com outro colega no You Tube, quinta-feira (8) surgiu um fato novo, e não menos trágico. Uma outra menor, do Wanel Ville, combinou um encontro com um colega em um terreno, perto da escola, e lá se deparou com outros cinco, que violentaram a garota. Dois adolescentes teriam feito sexo anal forçado na menina. Os outros teriam obrigado a menor a fazer sexo oral neles.

O BOM DIA entrevistou três menores, em um bairro da zona oeste da cidade. As opiniões do grupo seguem uma mesma linha de pensamento: internet é um terreno arenoso, onde não se deve brincar. “Tenho uma amiga que marcou encontro com um menino da idade dela, 13 anos. Quando viu, era um velho. Ele disse algumas coisas, mas ela se tocou e caiu fora”, conta I.G. Mais nova no grupo, com 13 anos, B.E. faz uma observação alarmante: “É muito comum, entre crianças de nossa idade, o Orkut cheio de pessoas mais velhas querendo adicionar a gente. É muito estranho”, afirma. “Criança e adolescente que namoram pelo MSN sabem o risco que correm. Nossa geração não é ingênua”, afirma R.A. com convicção de gente grande. “Já fui assediada por adultos que entram no chat da nossa idade, mas cortei.”

Investigação/ A Diju (Delegacia da Infância e Juventude) colheu o depoimento da vítima de quarta-feira, anteontem à tarde. A perícia analisará o diálogo com o agressor que armou a cilada, gravado no computador dela. Segundo os policiais da delegacia, é cada vez mais comum estupro praticado entre menores. “Trocam sexo por drogas e por qualquer outra coisa”, disse um investigador. “Essa geração deixa-se seduzir. Jamais deveriam se encontrar com estranhos depois de diálogos pela internet. É um passo para cair no alçapão”.

A Diju e a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) não comentaram nesta sexta-feira (9) os crimes, que estariam sob segredo de justiça. Mas o que se fala, nos bastidores, é que o crime de estupro, contra crianças e adolescentes, ocorre em maior grau nas periferias e com a ajuda da internet. “A rede tem sido uma facilitadora, uma ponte para o estupro consumado”. Instrumento poderoso do criminoso.

Polícia investiga como sexo entre jovens coagiu vítima
Além de esclarecer o caso da garota de 13 anos estuprada na quarta-feira por homens (não se sabe ao certo se todos eram menores) no Wanel Ville, a Diju (Delegacia da Infância e da Juventude) investiga o caso da menina de 12 anos violentada por cinco garotos no Éden, zona norte de Sorocaba, entre 15 e 20 de dezembro. Um vídeo com relações entre ela e um menino foi usado para coagir a menina a ter relações com os agressores – este seria o motivo para o caso vir à tona mais de dois meses depois. Os estupradores ameaçaram, também, a família da vítima, que pretende mudar do bairro em que moram. Os autores do crime têm passagem pela Diju por falsificação de ingressos de uma casa noturna. Segundo a Diju, o filme teria sido espalhado pela internet, por meio do site You Tube. Os acusados pelo crime de quarta-feira e o do final do ano passado serão interrogados.

Realidade do estupro: fora das estatísticas
Os  delegados são unânimes em um ponto: os estupros praticados contra menores, em Sorocaba, ocorrem em número muito maior do que o registrado nas delegacias. Em 2011, dez ocorrências foram registradas. A maioria das vítimas têm vergonha de prestar depoimento e narrar, em detalhes, como ocorreu a agressão.